Retrospectiva 2021: ano teve denúncias de assédio nos esports | esports

O ano de 2021 começou com uma onda – ou melhor, um tsunami – de denúncias de assédio sexual, agressão física, abuso psicológico e condutas inapropriadas contra personalidades dos esports do Brasil. Logo nos primeiros dias de janeiro, uma enxurrada de publicações nas redes sociais implicou jogadores, técnicos e outros profissionais, causando perplexidade na comunidade. Ao longo do ano, houve ainda casos de racismo, machismo e transfobia que resultaram em punições. Relembre, nesta reportagem, parte dos casos ocorridos em 2021 e compilados pelo ge.

Comentarista MiT durante transmissão do Circuito Desafiante — Foto: Bruno Alvares/Riot Games Brasil

Foi um tsunami de relatos de mulheres (e homens, em menor número) expondo casos de assédio sexual, agressão física, abuso psicológico e condutas inapropriadas. Tudo começou com a tatuadora Daniela Li contando, na madrugada de 5 de janeiro, que o ex-treinador de League of Legends (LoL) Gabriel “MiT” a forçou a realizar sexo oral em um encontro, anos atrás. Na época do relato, MiT era comentarista do Circuito Desafiante, o torneio da 2ª divisão do LoL brasileiro, e deixou o time de casters da Riot Games Brasil após a denúncia, sucedida por acusações de outras mulheres que se relacionaram com o ex-técnico.

MiT se pronunciou horas depois, argumentou não ter “maturidade” à época dos acontecimentos e disse estar “devastado e envergonhado”. Ele não trabalhou mais com esports desde as acusações.

Os relatos sobre MiT encorajaram outras pessoas a contarem, nas redes sociais, os traumas vividos com outras personalidades dos esports.

Filipe “pancc”, jogador de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) da Sharks Esports, teve expostas conversas em que pediu fotos nuas e propôs sexo a uma menor de idade. Ele admitiu estar “totalmente errado”. A direção da equipe suspendeu o atleta e o obrigou a passar por tratamento médico. Ele voltou a jogar competitivamente pela equipe em março, após receber aval da psicóloga que o acompanhou desde janeiro.

Treinador de League of Legends Kake em partida do CBLOL — Foto: Bruno Alvares/Riot Games

O treinador Guilherme “Kake” foi demitido da equipe B de League of Legends do Flamengo após ser acusado de pedir fotos sem roupa a jogadores, inclusive menores de idade, sob a ameaça de remover aqueles que se negassem de projetos de formação que o técnico comandava. Kake não se pronunciou e desapareceu das redes sociais.

Uma ex-namorada do jogador de League of Legends Thiago “TinOwns”, Thays Toledo, fez acusações de abuso psicológico, chantagem emocional e agressão física durante o relacionamento entre os dois. Horas depois, o atleta, que quando a denúncia veio à tona era contratado da paiN Gaming, abriu uma stream para comentar as acusações. Ele reconheceu as desavenças com a ex, mas sustentou que o ciúme e o abuso psicológico eram praticados por ambos. Negou agressões físicas e alegou que era imaturo na época do namoro, quando tinha 17 anos e se sentia inseguro e ciumento por ter uma namorada que já estava na faculdade.

O ex-apresentador do Campeonato Brasileiro de LoL (CBLOL) e hoje streamer Gustavo “Docil” foi acusado de pedir fotos nuas a uma mulher que, na época das conversas, era menor de idade. Ele admitiu o erro.

A apresentadora e streamer Renata Schözen relatou que o jogador de CS:GO Lincoln “fnx” fez vídeo de uma relação sexual com ela sem o seu consentimento e o enviou em grupos de WhatsApp com amigos, também sem a permissão dela. Na época, o atleta não se manifestou.

O streamer de League of Legends Douglas “Dogashow” foi exposto em publicações no Twitter com relatos de ocasiões em que forçou conversas de cunho sexual com várias mulheres, inclusive mandando fotos sem roupa sem que elas pedissem. Ele não se manifestou, na época, e deletou as contas em redes sociais.

Uma ex-namorada de Benjamim “Hyoga”, jogador de League of Legends do Santos na época, divulgou imagens de conversas em que o atleta tem comportamento abusivo e até diz que a estuprou. Houve também prints em que Hyoga coagia a ex a enviar fotos sem roupa. O jogador e a organização não se pronunciaram na ocasião.

Em março, a Team Liquid demitiu Rafael “Mav” de sua equipe brasileira de Rainbow Six após o jogador ter sido acusado de agressão física e assédio sexual na onda de denúncias de janeiro. Quando os relatos vieram à tona, Mav já havia sido suspenso por tempo indeterminado. Dois meses depois, o RH da Team Liquid informou ter reunido evidências suficientes para concluir que as ações e o comportamento do atleta violaram os valores e o código de conduta da organização. Em uma publicação ainda em janeiro, Mav admitiu que errou ao empurrar a ex-namorada, mas que o episódio não ocorreu “como retratado”.

Houve ainda outros relatos de assédio sexual e comportamentos inadequados naqueles tumultuados primeiros dias de janeiro.

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Influenciador Buxexa (esq.), ao lado de Nobru, cofundador do Fluxo — Foto: Reprodução

Buxexa demitido do Fluxo por transfobia

Em junho, o Fluxo, comandado pelos astros Lucio “Cerol” e Bruno “Nobru”, demitiu o influenciador de Free Fire Pedro “Buxexa”, após um comentário transfóbico que envolveu a influenciadora Marcella Pantaleão durante uma stream. Na live também estava Welington “Racha”, que igualmente teve atitude transfóbica com a influenciadora. Ambos se manifestaram nas redes sociais pedindo desculpa a Marcella, que ainda recebeu mensagens de ódio na web por conta do episódio. A Garena e a plataforma de streaming Booyah! baniram os dois.

Nobru fez publicações no Instagram em que disse, entre lágrimas, que Buxexa fez uma “piada de mau gosto” e que acreditava que o influenciador daria a “volta por cima” com “todo o nosso apoio”.

Injúria racial de hastad

Também em junho, o streamer Hernan “hastad” foi acusado de injúria racial após um clipe de uma live viralizar na rede social. No vídeo, o influenciador, descontente com as atitudes de um companheiro de partida, o chama de “pre…”, mas não conclui a fala. Ele admitiu que iria usar a palavra “preto” e se desculpou.

Argentino radicado no Brasil, hastad possui histórico de toxicidade, tendo se popularizado pelos “rages” e xingamentos em partidas de League of Legends.

Como consequência da última fala racista, hastad perdeu patrocínios, foi banido da Twitch e foi afastado do cargo de CEO da Slick, equipe de Valorant que tinha o argentino como chefe. A Slick encerrou as atividades dois meses depois.

Narrador de Valorant Nicolino — Foto: Divulgação

Nicolino afastado por assédio

Em julho, o narrador Nicolas “Nicolino” foi afastado pela Riot Games Brasil das transmissões de Valorant após publicações nas redes sociais mencionarem possível exposed do caster por assédio. Um mês depois, a desenvolvedora chegou a anunciar o retorno do narrador, mas recuou no mesmo dia e manteve o afastamento dele, diante da péssima repercussão nas redes sociais e do que a empresa chamou de “discussões adicionais com o time à luz de novos relatos”.

Depois que a Riot Games comunicou o retorno de Nicolino às transmissões, houve uma repercussão negativa na comunidade. Mulheres se manifestaram contra a decisão, inclusive com relatos sobre atitudes do narrador – antes não reveladas publicamente. Influenciadoras, jogadoras e integrantes da comunidade protestaram e criticaram a desenvolvedora.

No dia seguinte à reviravolta, Nicolino quebrou o silêncio e disse que as situações relatadas pelas mulheres são “em partes, sim, verdades” e admitiu que houve troca de mensagens e fotos, mas “entendendo que as duas partes estavam interessadas e alinhadas”.

Comentário machista de narrador

O narrador Maciel “Ciel” foi retirado das transmissões do cs_summit 8 após um comentário machista durante uma partida da seletiva fechada do campeonato. No jogo entre GODSENT e Extra Salt, o caster disse que a melhor jogada de Epitácio “TACO” havia sido “pegar a showliana”, em referência à namorada do bicampeão mundial, Juliana “showliana”, jogadora da Dignitas. Ainda durante a transmissão, Ciel se desculpou com o público dizendo ter feito uma “piada sem graça”.

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