Por que as big techs estão de olho nos games?

A última semana foi marcada por grandes anúncios no setor de games — mas por empresas que não são conhecidas nesse ramo. Dois bons exemplos disso são o novo serviço de streaming de jogos da Microsoft e o novo jogo feito a partir de um filme da Netflix. Uma coisa é fato: as gigantes da tecnologia querem investir nos games, e esse é um caminho que não tem volta.

Que o mercado de jogos eletrônicos já superou o do cinema e o da música, ao menos no quesito lucro, isso não é novidade. Tentando surfar nessa onda, as big techs passaram a querer vender suas produções também em outras plataformas — na forma de novas franquias ou serviços.

O Newzoo, consultoria especializada em pesquisas de negócios e investimento na indústria de games e esports, indica que o mercado global de jogos pode gerar em torno de US$ 175,8 bilhões em 2021, podendo ultrapassar os US$ 200 bilhões em 2023.

Só no Brasil, o mercado deve atingir US$ 2,3 bilhões neste ano. Para o setor de esports, se espera US$1,1 bilhão até o final do semestre — um crescimento de 14,5% em comparação ao ano anterior.

Entretanto, ainda há dúvidas se essas empresas vão acertar o tom para emplacar suas próprias produções no mercado de games.

Deslizes

Imagem: Sam Rutherford

Por mais que as gigantes tenham o aparato e investimento necessários para se arriscar, muitos projetos nessa linha não tiveram sucesso no passado — o famigerado flop.

O caso recente mais marcante é o Google Stadia, lançado em 2019 no hemisfério norte e sem previsão de chegar ao Brasil. O Stadia prometia revolucionar a forma de jogar, rodando games direto da nuvem com resolução 4K e sem a necessidade de um console — apenas com um Chromecast Ultra e boa internet.

Porém, quando foi lançado, muitos dos recursos anunciados ainda não estavam disponíveis. Muitos usuários relataram problemas de lag, queda na qualidade da imagem, além de críticas à biblioteca de jogos, que era muito limitada. Além disso, muitos funcionários que estavam na liderança do projeto saíram durante a produção. Em fevereiro deste ano, dois estúdios que estavam desenvolvendo jogos exclusivos foram fechados.

Outra gigante do Vale do Silício que também está nessa briga é a Amazon. Apesar de já contar com o Prime Gaming, a empresa de Bezos prometeu também um serviço semelhante ao Luna, que em junho liberou para os membros do Prime testar.

Os planos de mensalidade começam a partir de US$ 2,99 e vão até US$ 14,99 com a adição dos jogos da Ubisoft. Por enquanto, o Luna está disponível apenas nos Estados Unidos e por mais que receba elogios, a biblioteca de jogos ainda é limitadas.

A Amazon vem apostando forte no desenvolvimento de jogos. Em 2020 foi lançado Crucible, um FPS multiplayer que concorria direto com CS:GO, Valorant e Apex Legends. Porém, mesmo sendo distribuído de graça para a Steam, o jogo acabou sendo um fracasso — chegando a ponto de ter cinco mil usuários no servidor. A empresa voltou para a fase de beta fechada e, no fim, encerrou a distribuição.

Os acertos

Apple Arcade

Mas nem todas as experiências foram negativas até agora. No quesito streaming, a Microsoft tem se dado melhor comparada as concorrentes, graças ao Xbox Cloud Gaming. O serviço permite que usuários tenham acesso a mais de 100 títulos do Xbox Game Pass que estão habilitados para a nuvem, e localizados com suporte para PCs Windows, celulares e tablets Android ou iOS.

Aparentemente, a Amazon aprendeu com seu erro no Crucible e lançou essa semana o New Word, um MMORPG que tem atraído tanto jogadores que tem causado instabilidade nos servidores e se tornou o game mais jogado no Steam, com 700 mil usuários simultâneos.

A Apple também vem avançando nesse setor. O Apple Arcade é o serviço de assinatura de games oferecido aos usuários de dispositivos da maçã que custa a partir de R$ 9,99 por mês. Apesar de ser exclusivo a usuários de iOS, o serviço vêm chamando atenção pelo fato de a empresa ter investido na plataforma e adicionando novos títulos na catálogo — inclusive, selecionamos aqui os 20 jogos do Apple Arcade que valem o seu dinheiro. A Apple também têm incentivado desenvolvedores de lançar jogos exclusivos na plataforma, como Wonderbox: The Adventure Maker feito pelos brasileiros da Aquiris Game Studio.

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O que #vemai?

Photo: ALASTAIR PIKE/AFP (Getty Images)
Imagem: Alastair Pike/AFP (Getty Images)

Mesmo com as falhas que as big techs ainda precisam acertar, esse movimento se mostra promissor. Recentemente, uma outra gigante começou a dar seus primeiros passos nessa direção.

A Netflix anunciou que pretende investir também em jogos. Em julho, a companhia contratou um ex-executivo da EA e afirmou que, a partir do ano que vem, pretende oferecer jogos originais no serviço — sem custo adicional.

A ideia é expandir o catálogo desenvolvendo jogos baseado nas franquias de sucesso. como foi feito para mobile com Stranger Things: 1984 e Stranger Things 3: The Game. Alguns desses títulos não são recentes e até chegaram ao país, mas foram retirados. Agora, a empresa pretende investir ainda mais e disponibilizou os jogos baseado em ST em alguns países da Europa.

Nesta semana, a gigante do streaming anunciou que o filme Kate receberá um jogo. A produção será feito pela estúdio brasileiro Ludic Studios, e está prevista para ser lançada na Steam em 22 de outubro.

Outra que não pretende ficar de fora é o Tiktok, a ByteDance registrou uma patente com o nome de TikTok Cloud Game.

Ainda não há muitas informações sobre, segundo o relatório a empresa dona do Tiktok pretende atuar em jogos de entretenimento e educação. O usuários teriam acesso a esses jogos pelo oróprio aplicativo.

Não é novidade que a chinesa esteja investindo nesse ramo, uma vez que está impactando o mercado de jogos com transmissões na plataforma. O TikTok tá mobiliza, também, grupos de influenciadores do meio — como streamers e times de esport, por exemplo.

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